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9 de agosto de 2009

Qual será a hora do Senhor?

No Brasil estamos vivendo tempos difíceis. Tempos difíceis para os cristãos. Estive refletindo sobre a permissão que o Senhor tem dado para o confronto à Igreja, sua doutrina e suas práticas.

Tudo está acontecendo muito rápido. As transformações sociais, a formação da opinião, o mover das multidões. É assustador o alcance de publicações na internet. Podemos, hoje, através da tecnologia, influenciar um grande número de pessoas, sem discriminação qualquer.

“E disse ao povo: Acautelai-vos e guardai-vos de toda espécie de cobiça; porque a vida do homem não consiste na abundância das coisas que possui. Propôs-lhes então uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produzira com abundância; e ele arrazoava consigo, dizendo: Que farei? Pois não tenho onde recolher os meus frutos. Disse então: Farei isto: derribarei os meus celeiros e edificarei outros maiores, e ali recolherei todos os meus cereais e os meus bens; e direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te. Mas Deus lhe disse: Insensato, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.” Lucas 12:15-21

Em Lucas 12, a partir do verso 15, deparamos com Jesus Cristo aconselhando. Aconselhando quem? Penso que seja a Igreja. Jesus falava de um homem próspero, um homem abençoado, um homem que recebeu de Deus no tempo certo. E o que aconteceu com a alma desse homem? O que está acontecendo com a alma da Igreja?

Nesse texto percebi três pontos importantes que podem corroer, corromper a alma do crente:

1. Preocupação

O alerta aqui é para um tipo de preocupação, não daquelas que seriam saudáveis para o nosso crescimento e desenvolvimento espiritual e secular, mas aquela preocupação com aquilo que não nos diz respeito. Sim! Para um crente em Cristo Jesus a preocupação com o futuro é pecado. Mas por quê? Pode você ter feito esta pergunta como eu! E o texto bíblico responde: “Insensato, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?”

Está claro que, em um dado momento, a preocupação com o que comer e o que vestir desviou o homem da parábola do seu caminhar com Deus. Qual tem sido o seu momento de separação de Deus? A Bíblia nos adverte: Lembra-te de onde caíste! O limiar entre a benção e a maldição, no que concerne aos assuntos da alma, é muito tênue, suave. Só o Senhor pode trazer uma visão precisa das possíveis dificuldades dessa parte do caminho.

A preocupação com o futuro foi permitida pelo Senhor ao homem da parábola. Era um obstáculo a ser vencido. Um obstáculo não quer dizer derrota. Temos que enfrentar o obstáculo para poder vencê-lo! Cuidado com os desvios que tomar pensando em continuar o caminho! Um obstáculo tem que ser encarado como mais uma oportunidade de crescimento espiritual e intimidade com o Pai.

Preocupação? Somos humanos. Contudo devemos ser piedosos até para ansiar os bens dessa terra. Nosso Deus é um Deus que supre nossas necessidades. Algum cristão precisa mais do que isso?

2. Ansiedade

O que podemos dizer? Lidar com a ansiedade não é fácil. Porque ficamos ansiosos? Claramente por causa de duas coisas: o querer e o poder. Um agricultor conhece muito bem todo o processo do plantio da sua cultura. O empenho de trabalho e investimento financeiro até o tempo que espera para obter a colheita. Novamente nos deparamos com a tênue linha que separa a luz das trevas. Estamos na luz quando a ansiedade é o nosso motor. É o que acontece em nossa alma que nos leva a realizar, efetuar o que era apenas intenção, plano em nossa mente. Nesse desenrolar de fatos oque nos desviou da comunhão com Deus? Veja a parábola de Jesus:

“O campo de um homem rico produzira com abundância; e ele arrazoava consigo, dizendo: Que farei? Pois não tenho onde recolher os meus frutos. Disse então: Farei isto: derribarei os meus celeiros e edificarei outros maiores, e ali recolherei todos os meus cereais e os meus bens; e direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te”.

A pergunta que fiz foi: Senhor, em que este homem errou? O Senhor me respondeu com outra pergunta: Em que momento este homem perguntou para Deus o que fazer, como agir ou qual caminho seguir? Leia com cuidado e observe que em nenhuma das suas palavras, pensamentos, planos, intenções o Senhor estava incluído. E agora?

Deus espera que não só falemos mas que cumpramos a aliança que firmamos com Ele no dia que o encontramos e o aceitamos. O nosso querer, juntamente com os pensamentos e sentimentos, são parte do livre arbítrio que Deus graciosamente nos entregou. Contudo, não é porque somos Dele que pensamos como Ele. O Senhor espera que nos esforcemos para viver em sintonia com os seus mandamentos, que, por muitas vezes, podem ser contrários à nossa própria vontade.

E o tempo? É do Senhor também. Jesus disse: “Lançando toda vossa ansiedade sobre mim.” Deus tem escape para a ansiedade do Seu povo. Prefira o Senhor na direção da sua vida.

3. Medo

Penso que todo cristão já disse: O amor de Deus é o amor que lança fora todo medo.

A Bíblia está se referindo especificamente a quê? O cordel de medir de Deus está novamente esticado. Em que medida o medo se torna pecado? O que pode gerar medo em nós? E o que o medo causa na nossa alma?

Todo ser carnal tem medo pela sua integridade em todos os sentidos: física, emocional e espiritual. O conceito do que é bom ou mau, ao contrário do que parece, é bem relativa. Não existem critérios absolutos porque a avaliação do medo depende de vivências, traumas ou outras influências ambientais/circunstanciais.

Minha cadelinha tem medo de tomar banho, horror mesmo a água. Não entendia esse fato até que presenciei meu vizinho jogando baldes de água sobre ela com gritos e gestos agressivos. Apresentou-se a lógica do que era incompreensível. O medo determinou um comportamento ilógico e inesperado.

A pergunta que fiz ao Senhor: O que deve determinar o comportamento de um cristão? E novamente a Palavra responde: “Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus”. A vida com Deus é decisão todos os dias. Decidimos estar ou não com o Senhor. Decidimos ou nas seguirmos Seus ensinamentos. Foi por isso que Deus, quando Moisés morreu, disse Josué, o sucessor: “Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não te atemorizes, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus está contigo, por onde quer que andares.” Josué 1:9

Silvia Helena de Amo

IMUB/Vilhena



3 de agosto de 2008

Quando falamos de discipulado falamos de amigos

 

Textos Base: João 15:15-17/Samuel 18:1; 3

Quando Jesus fala com seus discípulos sobre amor e cuidado, vemos nosso Amado Jesus, falando a respeito de amizade e frutificação.

(JO 15:15) - Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer.

(JO 15:16) Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda.

(JO 15:17) Isto vos mando: Que vos ameis uns aos outros.

O Senhor não nos deu um ministério onde um não sabe o que o outro faz, mas sim um ministério de relacionamentos profundos: amizades verdadeiras.

Jesus tinha este relacionamento profundo com o Pai, Ele era amigo de Deus quando este em carne aqui na terra. Tudo que Ele via e ouvia do Pai, assim agia.

Creio que se fomos guiados pelo Espírito, estaremos também agindo como Jesus, só agiremos naquilo que o Pai nos falar e só faremos aquilo que Ele faria. Deus é um Deus de relacionamento, sempre quis e quer se relacionar conosco como amigo.

Pensando nisto comecei a meditar na palavra e Deus trouxe a minha um relacionamento na bíblia que é uma referência de amizade para nós: Davi e Jônatas. E gostaria de compartilhar algumas coisas a respeito disto.

1o. Amizade fala de amor profundo

(I Samuel 18:1) - E SUCEDEU que, acabando ele de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou, como à sua própria alma.

Quando falamos de amizade, falamos de uma ligação profunda entre duas pessoas, não apenas uma coisa de palavras ou momentos esporádicos, mas aquela ligação de que mesmo estando longe, mesmo não se falando as vezes, esta amizade não se abala. E ao contrário(quando se vê muito) um aprende a conviver com aquilo que o outro tem de defeito, pois está junto pelas qualidades.

2o. Amizade leva a aliança

(I Samuel 18:3) - E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma.

A amizade nos leva a aliança. Temos sido ministrados por alguns princípios quando falamos de relacionamento e estes são:

Você desenvolve a amizade. Cria-se a confiança. Firma-se uma aliança. Chega-se a intimidade

Amizade se cultiva, para que também gere frutos dignos desta relação. Quando a amizade é verdadeira gera frutos que levam os envolvidos à Deus e nunca fora dEle.

3o. Amizade fala de cobrir e abençoar o outro

(I Samuel 18:4) - E Jônatas se despojou da capa que trazia sobre si, e a deu a Davi, como também as suas vestes....

Devemos estar dispostos muitas vezes a nos descobrir(abrir mão daquilo que nos protege) para proteger, pois amigos se doam e não o fazem com interesse. Amigo não cobra, mas dá. Planta mesmo sem saber se vai colher(apesar de sabermos que oque plantarmos colheremos), amizade não envolve cobrança mas sim doação sem querer nada em troca.

Vemos dois tipos de cobertura aqui:

Capa: fala de honra e de unção. Amigos buscam honrar uns aos outros e também devem buscar ministrar a unção de Deus sobre a vida de outras para que realmente a benção seja completa.

Vestes: suprir as necessidades e retirar a vergonha. Davi acabava de chegar na corte, não tinha roupas adequadas, mas seu amigo o honrou e deu roupas adequadas para ele.

4o. Amizade fala de proteger

(I Samuel 18:4) - ...até a sua espada...

Quando falo em proteger também falo de atacar, amizade verdadeira protege e dá ferramentas pra isto, Nós como discipuladores(ou conservos) temos que dar ferramentas para que nossos discípulos(amigos) estejam sempre protegidos, nos sentimos, nos relacionamentos, no ministérios, em todas as áreas e a espada que eu posso deixar na mão deles é a Palavra de Deus, eu preciso estar sempre “armando” os discípulos(amigos) ou conservos contra as ciladas e laços do inimigo.

5o. Amizade fala de irmos para o Alvo

(I Samuel 18:4) - ....e o seu arco....

Arco serve para acertar o alvo com facilidade. Se nosso relacionamento é de amizade, sempre levaremos nosso amigo para o Alvo correto. Sempre focaremos num propósito, sempre teremos uma meta para alcançar, sempre cresceremos.

Nós somos amigos que tem uma visão, visão foca num alvo e este alvo é Cristo !!!

Nossas amizades devem levar nossos amigos a Cristo, o nosso Alvo! Ser parecido com Ele é a melhor coisa que pode existir na vida de uma pessoa, se somos amigos queremos o Melhor e Melhor é CRISTO !!! Aleluia !!! Como já dizia nosso amigo Paulo (por sinal, se tem alguém que queria que parecemos com Cristo, era ele)

(FP 3:14) - Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.

(EF 4:13) - Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo,

6o. Amizade se cultiva debaixo da verdade

(I Samuel 18:4) - ....e o seu cinto....

(Efésios 6:14) -Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade...

Devemos sempre lembrar que amigo é aquele que fala a verdade e não maqueia situações para não magoar; claro que temos o discernimento do Espírito para saber como falar mas estamos numa visão que nos sara nos levando a crescer deixando de ser meninos espirituais para vivermos relacionamentos de verdade.

Quando falamos a verdade protegemos, quando deixamos a Verdade da Palavra falar mais alto, somos protegidos. Cinto faz parte da armadura que reveste o crente e uma das partes importantes desta armadura é cinto(ou cinturão) da verdade. Nós devemos sair do engano do inimigo e vivemos debaixo da verdade e no Caminho, Verdade e Vida.

Conclusão

Não temos como viver sem relacionamentos, portanto a valorização destes, é um princípio do Reino, Jesus não veio simplesmente fazer servos, mas veio gerar amigos, pois amigos servem com prazer e paixão. Em nossa equipe de 12, em nossa célula com nossos discípulos devemos gerar verdadeiros relacionamentos, sendo estes amizades verdadeiras.

(JO 15:13) - Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos.

 

Pr. Kiki, Dan

http://www.miesf.com.br

15 de junho de 2008

Uma Visão Cristã da Sexualidade

Publicado em junho 30th, 2006 em Estudos por Rev. Misael

Sexualidade é “o conjunto dos fenômenos da vida sexual” (Dicionário Aurélio Século XXI). Biblicamente, a sexualidade é uma das mais poderosas dádivas divinas e situa-se no centro da personalidade humana.

A partir da adolescência a sexualidade deve ser compreendida sabiamente. Conceitos e hábitos estabelecidos nessa fase acompanham o indivíduo no restante de sua vida.

Despertamento da Sexualidade

Sob a ótica da sociedade atual, a sexualidade é destacada, embalada e vendida, como bem de consumo. Ela é tanto a motivação quanto o produto final de muitas iniciativas de marketing.

É importante refletir sobre a sexualidade do ponto de vista de Deus, a partir de sua revelação contida nas Escrituras.

I. Aspectos positivos da sexualidade

A sexualidade é mostrada na Bíblia positivamente. Sexo, de acordo com a Escritura, é dom divino vivenciado de acordo com os padrões do Criador.

1. A sexualidade é uma dádiva de Deus

26 Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança (…). 27 Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. 28 E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra (Gn 1.26-28, ênfase acrescentada).

Os gêneros sexuais refletem a imagem e semelhança do Criador. Daí a dignidade tanto do homem quanto da mulher. A prática de relações sexuais está implícita na referência do v. 28 à procriação.

18 Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea. (…) 20 Deu nome o homem a todos os animais domésticos, às aves dos céus e a todos os animais selváticos; para o homem, todavia, não se achava uma auxiliadora que lhe fosse idônea. 21 Então, o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. 22 E a costela que o SENHOR Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe. 23 E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada. 24 Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne. 25 Ora, um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e não se envergonhavam (Gn 2.18, 20-25, ênfases acrescentadas).

A sexualidade implica em união mútua e profunda intimidade.

2. Na sexualidade encontramos um fundamento para a individualidade

Como indivíduos, identificamo-nos, interagimos com o mundo, cumprimos nossa vocação e até nos relacionamos com Deus como homens ou mulheres.

O que somos, somos sexualmente. Expressões tais como “eu sou João” ou “eu sou Maria” expressam que no centro de nossa identidade encontra-se nosso gênero sexual. Em decorrência do ato criador divino, somos feitos “macho” ou “fêmea” (Gn 1.27).

Interagimos sexualmente

A sexualidade define, ainda, como nos relacionamos com o mundo. O modo com um homem lida com outras pessoas ou com alguns detalhes da vida é singular e difere da forma como uma mulher relaciona-se com as mesmas pessoas e fatos. Em decorrência do ato criador divino, relacionamo-nos com o universo como “macho” ou “fêmea” (Gn 1.27).

Há complementaridade entre masculino e feminino

Conforme lemos em Gênesis 2.18 e 20-25, a sexualidade pressupõe complementaridade. Adão precisava da companhia de Eva. Ele estava incompleto sem ela. Eva foi necessária para possibilitar o estabelecimento de relações afetuosas, conjugais e sociais.

A masculinidade e feminilidade são importantes para o cumprimento dos mandados divinos

Outro detalhe a considerar é que a sexualidade permite que deixemos marcas singulares na história. Abraão, Isaque, Jacó, Sarah, Débora e Maria são exemplos de pessoas que abençoaram o mundo como homens e mulheres de Deus.

A sexualidade é parte imprescindível de nossa comunhão com Deus. O Criador é Senhor sobre tudo, inclusive nossas inclinações, desejos e corpo. Deus mesmo é fonte de verdadeiro prazer. Ele é quem legitima o prazer sexual e concede poder para a pureza e santidade. Como afirma Piper ([s.d.]), “a sexualidade é designada por Deus como uma maneira de se conhecer a Deus em Cristo mais completamente” e, por sua vez, “conhecer a Deus em Cristo mais completamente é designado como uma maneira de se guardar e guiar nossa sexualidade”.

3. Na sexualidade existem diversos potenciais construtivos

A fé bíblica percebe os potenciais da sexualidade no enriquecimento das relações entre as pessoas, no estímulo às realizações, na procriação e, finalmente, na intimidade e prazer conjugal.

Interação enriquecedora com indivíduos do sexo oposto

A sexualidade possibilita a amizade enriquecedora. Homens e mulheres são aperfeiçoados no convívio fraterno e santo.

Realizações multiformes

Em determinados contextos organizacionais, equipes de trabalho formadas por homens e mulheres produzem resultados melhores qualitativa e quantitativamente. Cada gênero sexual contribui com idéias e modos singulares e relevantes de realizar as coisas.

Procriação

A sexualidade encontra seu espaço de maior intimidade na cópula ou relação sexual, no casamento. O matrimônio gera a família, estrutura da bênção de Deus, amor e aliança, sob a qual os filhos são gerados, nutridos e desenvolvidos (Gn 1.28; Sl 126.2 e 128; Ef 6.1-4).

Intimidade e prazer conjugal

A prática da relação sexual pelo casal, sob o matrimônio, não é apenas reprodutiva, mas voltada para o desfrute do prazer e comunhão com o cônjuge (Pv 5.5-19, Ec 9.9 e Ct 7.6-13).

Casamento

Prazer que aponta para a bondade de Deus e obediência

O prazer proporcionado pela relação sexual, do ponto de vista bíblico, é qualificado. Não se trata de prazer pelo prazer, mas de prazer centrado em Deus. O prazer sexual bíblico é desfrutado considerando-se a bondade divina e obedecendo-se aos padrões bíblicos de orientação e conduta sexual. Nesse termos, há quatro proibições explícitas na Escritura.

  • Adultério (Êx 20.14; Lv 18.20).
  • Incesto, relações sexuais com parentes próximos (pai e mãe, filhos ou filhas, irmãos, avós ou netos, tios e sobrinhos, genros e noras, uma mulher e sua filha ou duas esposas ao mesmo tempo — Lv 18.6-18).
  • Homossexualismo, relações sexuais com pessoa do mesmo sexo (Lv 18.22; Rm 1.26-27).
  • Bestialidade, relações sexuais com animais (Lv 18.23).
Prazer paciente

A sexualidade bíblica é norteada pelo amor, que é paciente (Ct 3.5; 1Co 13.4). O amor verdadeiro sabe esperar, não força ações precipitadas.

Prazer casto e temperante

O prazer sexual bíblico é poder sob controle do Espírito Santo (Gl 5.22-24).

Prazer que aponta para a aliança entre Cristo e a Igreja

A união profunda entre um homem e uma mulher refere-se ao mistério da união entre Cristo e a Igreja (Ef 5.31-32). O prazer sexual é um significativo mas ainda pálido vislumbre das delícias desfrutadas na comunhão com o Senhor Jesus Cristo (Sl 16.11; Pv 8.31).

Percebe-se, destarte, que a sexualidade não é diminuída pela Bíblia. Pelo contrário, por representar o maravilhoso vínculo entre o Senhor e seu povo, é destaca e devidamente valorizada. A sexualidade é diminuída e assumida como caricatura pela sociedade pagã, que reduz o sexo a mera busca insaciável de prazer impessoal e momentâneo.

A necessidade humana do homem e da mulher um pelo outro surge de uma relação original fundamentada no ato criador de Deus (Gn 2.18ss). A família é a ordem natural e básica da criação e um microcosmo da humanidade (Ef 3.14). Os pais descobrem juntos uma vida nova na união: os filhos são gerados divinamente como dádivas sagradas. (…) Por causa da integridade da personalidade humana, o que se pensa e se faz sexualmente tem conseqüências no ser total do indivíduo, nesta vida e na próxima. Para os cristãos, o sexo envolve terna gratidão, devoção pessoal e responsabilidade gratificante sob os cuidados de Deus (HENRY, 1975, p. 1169-72 apud COURT, 1992, p. 13).

II. Deturpações da sexualidade na lista das obras da carne

As deturpações da sexualidade são mostradas na lista das “obras da carne”, registrada em Gl 5.19-21: prostituição, impureza e lascívia.

1. A prostituição

A prostituição é a primeira obra da carne (Gl 5.19). Prostituição é “comércio habitual ou profissional do amor sexual” (Dicionário Aurélio Século XXI). No Novo Testamento a palavra porneia, indica, simultaneamente, tanto a indecência de modo geral como o uso do corpo como objeto de prazer momentâneo. Barclay (1985, p. 25) considera que o termo liga-se a pernumi, vender, e propõe o seguinte significado:

Essencialmente, porneia é o amor que é comprado e vendido – o que não é amor de modo algum. O erro grande e básico nisto é que a pessoa com quem semelhante amor é satisfeito não é realmente considerada uma pessoa, mas um objeto. Ele ou ela é mero instrumento através de quem as exigências da concupiscência e da paixão são satisfeitas. O amor verdadeiro é a união total entre duas personalidades de modo que se tornam uma só pessoa, e que cada uma acha sua própria realização na união com a outra. Porneia descreve o relacionamento em que uma das partes pode ser comprada e descartada como um objeto, e onde não há união de personalidade nem respeito por estas (op. cit., p. 25-26).

A NVI – Bíblia Nova Versão Internacional (2003, p. 2013) e a NTLH – Bíblia Nova Tradução na Linguagem de Hoje (2005, p. 1195) traduzem a palavra por “imoralidade sexual”. Hendriksen (1999, p. 315) conclui que o termo tem a ver com toda espécie de relação [sexual] ilícita e clandestina” e relaciona-se, no paganismo, à prática da idolatria. Stott (2003, p. 134) afirma que porneia indica, primariamente, a fornicação que é a prática de relações sexuais “entre pessoas que não são casadas”, mas pode referir-se também “a qualquer tipo de comportamento sexual ilegal”. A prostituição aponta, literalmente, para o “pecado dentro de uma área específica da vida, a área das relações sexuais” (BARCLAY, Ibid., p. 31).

2. A impureza

A palavra usada pelo apóstolo Paulo para referir-se à segunda deturpação sexual é akatharsia, traduzida por “impureza”. Akatharsia significa, literalmente, sujeira ou imundícia. Para Stott (op. cit., loc. cit.) a palavra indica “comportamento anormal”. Barckay (Ibid., p. 30-31) sugere que o termo indica algo que “dá nojo à pessoa que a presencia” e possui três idéias principais:

  • Indica “um tipo de mente que é poluída em si mesmo e que polui tudo quando passa por ela” (Ibid., p. 31).
  • Refere-se a uma impureza repulsiva que desperta ojeriza nas pessoas decentes que olham para ela.
  • Akatharsia tem um sentido ritual. Era usada para aquilo que impossibilitava a pessoa de entrar na presença de Deus. Assim sendo, seu uso descreve “a impureza ritual e cerimonial” que exclui “o homem da presença de Deus” e contrapõe-se à pureza de coração exigida na verdadeira adoração (Mt 5.8 – Ibid., loc. cit.).

A impureza aponta, literalmente, para “uma contaminação geral da pessoa inteira, maculando todas as esferas da vida” (Ibid., loc. cit.).

3. A lascívia

A terceira deturpação sexual da lista de obras da carne é a lascívia (“libertinagem” na NVI e “ações indecentes” na NTLH). A palavra original é aselgeia, que indica uma postura completamente desavergonhada. A pessoa aselgēs não se importa em chocar a decência pública. Platão (República 424 E.) usa o termo para referir-se à insolência da iniqüidade. Barclay (Ibid., p. 33) chama a atenção para o fato que a aselgeia “é o ato de uma personalidade que já perdeu aquilo que deveria ser sua melhor defesa – seu respeito-próprio, e seu senso de vergonha”.

A lascívia aponta, literalmente, para “um amor ao pecado tão desenfreado e tão audaz que o homem deixou de importar-se com aquilo que Deus ou os homens pensam a respeito de suas ações” (Ibid., loc. cit.).

4. Os padrões da sociedade

As regras da Escritura são desconsideradas pela sociedade em geral. A idéia de pureza sexual é ridícula para o mundo sem Deus. As coisas não eram diferentes na cultura greco-romana dos tempos apostólicos. Barclay (Ibid., p. 26-27) descreve o panorama moral daquela época citando os próprios autores pagãos. Dizia-se que, na primeira metade do século II, “a vergonha parecia ter sumido da terra” (p. 26). Sêneca (Da Ira 2.8) disse com exatidão: “A inocência não é rara: é não-existente” (p. 27). Com relação à homossexualidade, tanto Platão como Sócrates desfrutavam do “amor de meninos” (p. 28). Dos quinze primeiros imperadores romanos, somente Cláudio era heterossexual. Mesmo assim, Messalina, sua esposa, saía “às escondidas do palácio real à noite, a fim de servir num prostíbulo público” (p. 27, 28s).

No século XXI é desafiador quanto aos padrões bíblicos de pureza moral. As pressões de grupo e, principalmente, a força da mídia, empurram o indivíduo para a aceitação da promiscuidade ou formas antibíblicas de vivenciar a sexualidade.

5. Potenciais destrutivos
Uso indevido da dádiva da criação

Os pecados sexuais constituem-se em uso indevido da dádiva da criação. Ao invés de glorificar a Deus, o ser humano desconsidera os padrões divinos e explora a sua sexualidade para o desfrute de seus próprios desejos desenfreados.

Idolatria

Ao descartar as informações bíblicas sobre a sexualidade, o ser humano estabelece seu ego como centro da existência. Deus é colocado de lado e os apetites da carne são entronizados. Isso é pecado de idolatria (Êx 20.1-4 e 14).

Desvalorização do corpo

A quebra dos padrões bíblicos de sexualidade mancha o corpo. Este, por sua vez, deve ser consagrado como templo do Espírito Santo (1Co 6.9-11, 15-20).

Pulverização da personalidade

O resultado final da quebra dos padrões relacionados à sexualidade é a deformação integral do caráter. O início da lista de obras da carne (Gl 5.19) sugere uma escada de degraus descendentes: da prostituição (uso do corpo como objeto) para a impureza (mancha moral e espiritual), e desta última, para a lascívia (conduta completamente desavergonhada). O texto de Romanos 1.18-32 descreve uma deterioração crescente.

6. Situações de risco
Namoro precoce

Não há uma idade-padrão para o início do namoro, mas devem ser considerados os seguintes fatos.

  • O namoro estabelece uma relação afetuosa entre um rapaz e uma moça, com vistas ao conhecimento mútuo.
  • Tal relação tende ao aumento da intimidade entre o casal, que produz, por conseguinte, pressão sexual (Ct
  • 1.1-4 e 2.3-6).
  • Tal pressão é um dos indicadores de que o casal deve pensar em casamento (1Co 7.8-9). O rapaz e a moça devem aguardar até o casamento para satisfazerem completamente o desejo sexual (Ct 2.7, 3.11, 5.1).
  • Assim sendo, o namoro não deve ser assumido antes que o casal tenha convicção de que deseja iniciar uma relação séria, que talvez desdobre-se em união matrimonial. É claro que o namoro não significa que ambos irão, de fato, casar-se, mas deve pressupor tal disposição. Nesses termos o namoro é, ainda que em primeiro estágio, uma aliança.
  • Isso exige do casal maturidade e disposição para consolidar uma estrutura de estudos e recursos, necessária para a possível manutenção de um lar.
  • Apesar de algumas felizes exceções, o namoro iniciado muito cedo possui riscos tais como desvio de atenção dos estudos, violação dos padrões bíblicos de pureza sexual e gravidez indesejada.
“Ficar”

Para quem não deseja assumir as responsabilidades de um namoro, a sociedade sugere uma nova opção de relacionamento: o “ficar”. “Ficar” é desfrutar fisicamente de uma pessoa, sem compromisso, apenas por poucos minutos ou horas. Em seguida, rapaz e moça estão disponíveis para “ficarem” com outras pessoas.

O problema dessa prática é que, mesmo que não haja relação sexual, trata-se de porneia ou prostituição, uma vez que o outro ser humano está sendo “usado” sem nenhum vínculo de aliança.

Pornografia

A junção de todas as deturpações citadas em Gálatas 5.19 dá origem à pornografia, que multiplica-se sobremaneira na esteira da liberdade de expressão. Lopes ([s.d.]) descreve a pornografia nos seguintes termos:

De forma geral, podemos dizer que pornografia é a representação da nudez e do comportamento sexual humano com o objetivo de produzir excitamento sexual. Esta representação é feita através de imagens animadas (filmes, vídeos, computador), fotografias, desenhos, textos escritos ou falados. A pornografia explora o sexo, tratando os seres humanos como coisas e, em particular, as mulheres como objetos sexuais.

A palavra pornografia vem do grego e significa literalmente “escrever sobre prostituta”. Com o tempo, passou a referir-se a qualquer material, escrito ou gráfico, de conteúdo sexual. O termo é usado hoje de forma negativa. A indústria pornográfica que produz filmes, revistas, vídeos e sites na Internet, prefere usar outros termos, como “material adulto”. Esta manobra é um eufemismo que visa retirar deste sórdido comércio a pecha negativa que ele possui.

A pornografia desorienta seus usuários a partir de informações falsas. Além de homens e mulheres serem mostrados de forma irreal, como máquinas sexualmente incansáveis; homens são dominadores incapazes de demonstrar ternura e as mulheres são meros objetos passivos (SUPLICY, 1991, p. 373).

Pornografia

A palavra pornografia tem a ver com porneia, e movimenta uma indústria milionária que tem ligações com o crime organizado (LOPES, loc. cit.). Court (op. cit., p. 48-55) demonstra que em países que abriram espaço para a pornografia, houve aumento significativo na quantidade de crimes sexuais relatados, tais como estupros. Em Los Angeles, capital mundial da pornografia, tais crimes cresceram 56% entre 1958 e 1973. Na Inglaterra e País de Gales, o aumento foi de 62%, entre 1950 e 1970. No Japão, onde foi adotada uma política mais restritiva quanto à pornografia, os crimes sexuais diminuíram 49%.

Pornografia e Jogos sexuais

A pornografia propõe determinados padrões de prática sexual, tais como o sexo oral, anal, grupal ou troca de parceiros, que terminam sendo assumidos como normais. O contato com a pornografia estimula a prática de jogos sexuais que contrariam os princípios bíblicos de sexualidade.

Pornografia e sexo precoce (antes do casamento)

Um dos resultados das estimulações da pornografia é a prática do sexo antes do casamento. É claro que alguns casais relacionam-se sexualmente antes do casamento mesmo sem consumirem conteúdos pornográficos. A pornografia, no entanto, induz fantasias que pressionam o usuário à masturbação e à prática de relações sexuais.

Além disso, não há diferença, na essência, entre carícias pré-maritais e sexo pré-marital. Uma vez que carícias são consideradas pelo sexólogos como estímulos preparatórios, uma carícia só difere de uma penetração em termos de conseqüências físicas tais como o rompimento do hímen ou a possibilidade de uma gravidez (WHITE, 1994, p. 62-64). Mesmo que a prática de carícias pré-maritais não seja “descoberta” pelos homens, constitui-se em ofensa a Deus pela quebra dos padrões divinos de pureza sexual.

Pornografia e vício sexual

Todas essas deturpações são desvios da vontade divina relacionada ao sexo e têm o poder de causar dependência, ou seja, viciar (HENDRIKSEN, 1999. p. 314).

O vício sexual é um problema reconhecido por estudiosos das ciências humanas e sociais. Atualmente existem grupos e instituições especializados em tratar de pessoas que não conseguem ter vidas normais por causa da escravidão à pornografia.

Conseqüências naturais

As deturpações da sexualidade produzem prejuízos financeiros, enfraquecimento da relação conjugal, destruição de lares e outras frustrações.

Conseqüências espirituais

As deturpações da sexualidade produzem prejuízos espirituais: quebra da comunhão com Deus (distanciamento da leitura bíblica devocional e oração), afastamento do serviço cristão e pulverização do testemunho evangelístico. A Bíblia ensina claramente que pessoas presas a pecados sexuais não foram regeneradas e, portanto, não entrarão no reino dos céus (1Co 6.9-11; Ef 5.3-14; Ap 22.15).

Conclusão

A sexualidade, como vimos, é uma das mais poderosas dádivas divinas e influencia nossa personalidade. Somos e fazemos e fazemos qualquer coisa como homem ou mulher, ou seja, como seres sexuais.

Biblicamente, a sexualidade foi estabelecida para a liberdade. Liberdade, porém, não significa a autonomia de orientar-me e assumir relações sexuais fora dos padrões de Deus. Liberdade também não é sinônimo de promiscuidade. White (op. cit., p. 66) coloca a questão adequadamente, ao afirmar que “nosso corpo foi feito para a liberdade. Só encontramos liberdade sexual (ou em qualquer outra área) quando cumprimos o propósito da nossa criação”.

Liberdade é graça concedida pelo conhecimento de Jesus Cristo e pela direção poderosa do Espírito Santo (Jo 8.34-36; Rm 8.1-2; Gl 5.16-25). “Aqueles que são dirigidos pelo Espírito respiram o ar alegre e revigorante da liberdade moral e espiritual” (HENDRIKSEN, 1999, p. 313).

A sexualidade foi concedida para encontramo-nos significativamente uns com os outros e, nesses encontros, refletirmos nossa união com Deus. Ela não foi concedida para o prazer egoísta. Na verdade, quanto mais buscamos o prazer fora de Deus, mais sentimo-nos frustrados.

Encontrar o prazer é tão difícil quanto perseguir o fim de um arco-íris. Se você procura o prazer, nunca vai encontrá-lo. Toda vez que você tenta agarrá-lo pelo rabo, ele escapa.(…)

O prazer, na verdade, é um subproduto, um efeito colateral. Ele nos toma de surpresa, quando estamos à procura de alguma outra coisa. (…)

Busque a Deus e você encontrará, entre outras coisas, um prazer penetrante. Busque o prazer e, no fim das contas, você vai encontrar tédio, desencanto e escravidão (WHITE, op. cit., p. 68).

Palestra ministrada em 30 de Junho de 2006, pelo Rev. Misael Batista do Nascimento, aos alunos de quinta a oitava séries da Escola Presbiteriana do Gama.

Referências Bibliográficas

BARCLAY, William. As obras da carne e o fruto do Espírito. 1ed. Reimp. 1988. Trad. Gordon Chown. São Paulo: Vida Nova, 1985. 118 p.

BARKER, Kenneth. et al. (Orgs.). Bíblia de Estudo NVI. Trad. Gordon Chown, Notas. São Paulo: Vida, 2003. 2424 p.

BÍBLIA DE ESTUDO NTLH. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2005. 1504 p.

COURT, John H. Pornografia: Uma resposta cristã. Trad. José Clóvis Chagas. São Paulo: Vida Nova, 1992. 100 p.

HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: Gálatas. Trad. Valter Graciano Martins. São Paulo: Cultura Cristã, 1999. 367 p.

HENRY, Carl F. H. Christian personal and social ethics in relation to racism, poverty, war and other problems. In: DOUGLAS, J. D. (Ed.). Let the earth hear his voice. Mineapolis: World Wide Publications, 1975. p. 1169-72.

HOLANDA, Aurélio Buarque. Dicionário Aurélio Século XXI. Versão digital.

LOPES, Augustus Nicodemus. Pornografia: Realidade, perigos e libertação. Cuiabá: Web Site Monergismo, [s.d.]. Disponível em Acessado em: 28 Jun 2006.

PIPER, John. Sexo e a supremacia de Cristo. Cuiabá: Web Site Monergismo, [s.d.]. Disponível em Acessado em: 28 Jun 2006.

STOTT, John. A mensagem de Gálatas: Somente um caminho. 1ed. 1989. 3reimp. 2003. Trad. Yolanda Mirdsa Krievin. São Paulo: ABU, 2003. 171 p.

SUPLICY, Marta. Conversando sobre sexo. 17ed. rev. ampl. Petrópolis: Edição da Autora, 1991. 407 p.

WHITE, John. Eros e sexualidade: Uma perspectiva cristã. Trad. Lucy Yamakami. São Paulo: ABU, 1994. 193 p.

As ilustrações utilizadas neste estudo são de autoria de Biry, e foram extraídas do livro Transar ou não transar, de Sérgio e Magali Leoto.

7 de junho de 2008

HOMOSEXUALISMO

 

Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é.(Levíticos 18:22)

Estava lendo um texto a respeito de homosexualismo, onde taxam as igrejas como antiquadas e obsoletas e também falam que elas (igrejas) não podem e não devem interferir nas decisões de cada pessoa, o livre arbítrio deve estar acima de tudo, se ela preferir seguir o amor através do homosexualismo, tudo bem.

Tenho acompanhado este assunto e visto o posicionamento das igrejas neste sentido , elas na verdade se posicionam nos mandamentos de Cristo, que é o amor a todas as pessoas, o amor ao próximo conforme os ensinamentos do Mestre Jesus .

Entretanto, devemos lembrar e meditar nas Palavras de Deus, contidas as escrituras sagradas, DEUS ama o pecador mas abomina o pecado.

Quem não se lembra da mulher pega em adultério?

Ela foi apresentada ao Mestre para ser condenada e apredejada conforme determinava a LEI de Moisés, mas o que Jesus fez?

Simplesmente o Senhor não condenou a mulher, pois sabia que ela precisava do perdão Dele e as suas frases seguintes foram: - VÁ E NÃO PEQUES MAIS.

Ou será que Jesus mudou a Sua Palavra?

Não, Deus demonstrou a ela o seu infinito amor, mas deu um conselho, NÃO PEQUES MAIS.

Quando estamos acreditando que amar as pessoas é igual a praticar sexo homem com homem e mulher com mulher, estamos dizendo que Deus errou na sua criação e ao invés de ter criado Adão e Eva, deveria ter criado Adão e Ivo ou Ada e Eva, será que Deus não é Perfeito?

Todas as coisas foram criadas em perfeita ordem e harmonia, o homem é que na verdade está tomando caminhos diferentes do que Deus apresenta para que tenhamos uma comunhão com Ele e vida abundante, mas o Senhor nos alerta:

Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte. (Provérbios 14:12)

Esta história já acontecia antes mesmo da vinda de Cristo,homosexualismo, tanto é verdade que Sodoma e Gomorra foram riscadas da face da terra por causa de seus inúmeros pecados, e aproveitando a ocasião, vamos descobrir o significado da palavra “SODOMIA’?

acto sexual que envolve relações anais, entre um homem e uma mulher ou entre homossexuais masculinos.

Veja no seu dicionário e entenderás o porque da ira de Deus sobre aquelas duas cidades.

Mas, vamos ver o que o apostolo Paulo fala sobre DEUS com relação a idolatria, homosexualismo e lesbianismo:

Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça. Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém. Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.(Romanos 1:18 a 27)

Cristo ama o pecador conforme mencionei anteriormente e Ele mesmo disse:

Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento. (Mateus 9:13)

O pecado é tudo aquilo que nos afasta de Deus , é errar o caminho, é errar o alvo , por isto Jesus veio, para nos resgatar novamente e mostrar o caminho mais do que excelente.

A mulher que foi apanhada em adultério,teve uma nova oportunidade e assim Deus quer dar uma nova oportunidade para todos aqueles que estão fora do caminho.

Jogar pedras no pecador? Não! Mas ensinar ele ou ela nos caminhos de Deus, aí sim é o nosso dever e amar acima de todas as coisas.

Se o pecador se arrepender. Glorias a Deus, mas se não se arrepender, não devemos julga-lo, pois já tem quem o julgue, conforme as Palavras do Mestre Jesus:

E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo. Quem me rejeitar a mim, e não receber as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia. Porque eu não tenho falado de mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, ele me deu mandamento sobre o que hei de dizer e sobre o que hei de falar. E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu falo, falo-o como o Pai mo tem dito.(João 12:47 a 50)

 

Paulo Sérgio

www.evangelizaçãopessoal.com.br

O Papel dos Discípulos Maduros na Expansão do Reino

 

Mateus 9.35-10.1

Existem dois momentos na vida de uma pessoa; o momento de infância e o momento de maturidade. O momento de infância caracteriza-se apenas por receber de outros. A maturidade caracteriza-se em trabalhar e produzir. Na vida espiritual também é assim, os novos convertidos são as crianças que devem ser alimentadas e cuidadas pelos mais velhos. Os mais antigos na fé devem ser aqueles que alimentam e cuidam os mais novos. Jesus em Mateus nos fala da postura de discípulos que foram desafiados a colaborar com Ele na expansão do evangelho, isso era um convite aos que já estavam na maturidade. Ainda nessa passagem Mateus nos mostra alguns comportamentos de  crentes maduros.

1. Ver como Jesus via: Jesus via o povo e as pessoas como sendo ovelhas sem pastor, homens e mulheres que não gozavam da comunhão com Deus apesar de estarem constantemente no templo. No entanto Jesus convidava os seus discípulos para verem o povo como Ele via. O convite para nos que somos maduros e para que vejamos as pessoas não de acordo com a nossa perspectiva, mas com a perspectiva de Jesus.
Quem você conhece hoje que esta sofrendo muito na vida e que esta próximo de você? Essa pessoa conhece a Jesus?

2. Sentir o sentimento de Jesus: Jesus mostrava misericórdia pela situação das pessoas. Discípulos maduros de Jesus sentem o mesmo que Jesus ao ver as pessoas, eles sente misericórdia. Cada um de nós é chamado a sentir o que Jesus sentia por cada um que ele encontrava. Só fazemos isso quando somos maduros.

3. Ter nos lábios a mensagem que Jesus tinha: O conteúdo da mensagem que deve ser pregada é aquela que anuncia uma boa noticia ao pecador. Essa mensagem não esta vinculada a qualquer homem, instituição ou outra coisa. A mensagem que deve ser pregada é aquele que anuncia a paz de Deus a todas as pessoas. Os nossos dias são parecidos com os dias de Jesus, as pessoas andavam atribuladas devido aos conflitos. Assim se somos maduros temos nos nossos lábios a mesma mensagem que Jesus tinha na sua boca, mensagem de paz.
Como você reage quando ouve uma história de sofrimento a respeito de uma pessoa próxima de você?

4. Depender de Deus: A obra do reino não pode ser feita por quem anda sozinho. Jesus quando em carne convidou discípulos para fazer a obra e assim não fazer sozinho. Alem do que as pessoas que farão parte dessa comissão conosco são respostas de oração Isso por que não é qualquer um que atenderá o chamado, mas pessoas devidamente comprometidas. É bom saber também que às pessoas só são chamadas uma vez que uma oração tenha sido feita. A maturidade gera dependência de Deus,

5. Utilizar a estratégias corretas: A estratégia correta para pessoas maduras consiste em ir atrás de cada desgarrado e perdido. A estratégia correta consiste em anunciar o evangelho, orar para que as pessoas sejam curadas e expulsar demônios dos opressos. A estratégia correta é ir até onde as pessoas estão. Apenas discípulos maduros vão ao encontro de pecadores.
Qual é o seu chamado na propagação do reino, como você descobriu?

Essas são posturas próprias de pessoas que amadureceram. Crianças espirituais apenas preocupam-se com os seus interesses imediatos já os maduros vêem os outros antes de tudo, e vêem como Jesus via. Crentes maduros têm o sentimento que Jesus tinha, carregam nos lábio a mensagem de Jesus,  e assumem a dependência de Deus. Crentes maduros não utiliza,-se de qualquer método, antes de qualquer coisa e utilizam-se da estratégia sustentada no anuncio do evangelho, na oração, e na libertação. Seja maduro.

Pregação: Pr Jonas Neves

www.batistadopovo.org.br

8 de março de 2008

Mas transformai-vos...

Romanos 12:1 e 2

1Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

2 E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa agradável vontade de Deus

Paulo, pede com urgência, aos seus irmãos, irmãos na fé, pessoas que com ele criam neste Deus vivo, no Senhor Jesus, que serviam ao mesmo Deus, por este sentimento que Deus tem a nosso respeito, por muitas vezes termos praticado o mal, sem mesmo ter consciência, Deus tem um sentimento de pesar muito grande pelo mal que praticamos, Deus quer que nos arrependamos e que ao invés de buscar coisas deste mundo passemos a procurar as coisas que vem de Deus. Paulo pede com urgência que, apresentemos nosso corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus.

"Sacrifício vivo" significa que devemos estar observando, como está o nosso viver, será que temos atendido aos desejos do nosso coração antes mesmo de atender ao chamado de nosso Deus, será que temos compartilhado de coisas deste mundo ao invés de recusar as ofertas deste mundo corrompido, devemos sacrificar os desejos particulares e observar se estamos realmente servindo a Deus como Ele gostaria, se estamos agradando ao Senhor Deus em tudo.

"Santo" a própria palavra já diz que é Sagrado, que vive na lei de Deus, devemos ser santos, viver a lei de Deus, e não tentar trazer a lei de Deus para os nossos desejos, e não distorcer a lei de Deus para os seus próprios desejos e deleites , achando que Deus se agradaria de qualquer coisa que você fizer, ou falar ou ainda pensar, devemos recusar tudo que o mundo nos oferece, lembrando que o diabo fará de tudo para desviar sua vida da verdade, fará de tudo para cegar você e fazê-lo enxergar outras coisas que não seja a Palavra de Deus. Seja Santo.

"Agradável a Deus", esta é uma das partes mais difíceis para cada cristão, por temos de Ter certeza de que aquilo que nós desejamos ou almejamos, seja realmente agradável a Deus, se o que realmente fazemos ou buscamos é da vontade de Deus, devemos estar nos corrigindo a cada dia e nos lembrando que a vontade emprimeiro lugar é a de Deus e não a nossa, devemos sempre orar buscando a sabedoria de Deus, para sabermos segundo a Sua Palavra, se agimos corretamente, se falamos corretamente, se pensamos corretamente, sevivemos corretamente, se andamos em conformidade com a sua Palavra, se tudo que fizermos seja agradável a Deus.

"Que é o vosso culto racional", entendemos que todos os momentos de nossa vida devemos agir pela Palavra mas, ser perder a razão, sem perder a consciência, sem deixar de verificar a equidade de nossas atitudes, a Deus devemos um culto racional, um culto para Deus com temor e extremo respeito.

"E não vos conformeis com este mundo" , esta palavra conformar significa tomar a forma, não devemos jamais tomar a forma deste mundo, não aceitando em nós nada que venha deste mundo o pecado, a transgressão, a mentira, e qualquer que seja o mal, que tenha tentado a sua vida, não aceitando o que todos acham normal, para nós salvos o normal é seguir a Palavra de Deus.

"Mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento", aqui mostra a importância de cada um de nós transformarmos o nosso viver conforme o ntendimento que Deus tem dado. Deus tem renovado seu entendimento através da Palavra, da Escritura Sagrada, e após uma renovação de atitudes, do pensar, do falar, enfim do seu viver, tem que haver uma transformação.

"Para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus, tudo enfim, para que possamosreceber de Deus a sua vontade e experimentar todas as coisas que vem de Deus, mas lembrando que semprepara nós, Deus reservou o melhor, sua vontade sempre é boa, agradável e perfeita, isto significa que a Sua Vontade é para nós o melhor e não o pior, é sempre saudável e não ruim, resumindo, Deus tem preparado para nós o melhor.

Experimente viver a vontade de Deus em sua vida e verá qual será a mudança que Deus reservou para você

Autor: Pr Carlos Eduardo de Amo

Fonte: Intenet

11 de janeiro de 2008

A Armadilha da Justiça Própria

Os fariseus não estão todos mortos ainda. Hoje em dia, existem fariseus até mesmo dentro das igrejas mais espirituais. Por fora, eles aparentam ser justos, mas por dentro são “cheios de hipocrisia e iniqüidade” (Mt 23.28). Devo me perguntar: “Eu também estou nesse grupo?”.

Observe a humildade de Davi quando Natã, o mensageiro de Deus, lhe falou a respeito do seu grande pecado, e a rapidez com que veio o perdão depois da confissão de Davi: “Então disse Davi a Natã: Pequei contra o Senhor. Disse Natã a Davi: Também o Senhor te perdoou o teu pecado; não morrerás” (2 Sm 12.13). Davi precisou sofrer grandemente por causa do seu terrível pecado mas, após a sua completa confissão e o abandono dos pecados, ele foi totalmente perdoado.

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 Jo 1.9). Somente diante da plena confissão é que Deus perdoará plenamente. “A ele [João Batista] vinha gente de Jerusalém, de toda a Judéia e ...confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão” (Mt 3.5-6). “Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia” (Pv 28.13).

Mesmo sob o poderoso ministério de João Batista, alguns não se arrependiam. Ao rejeitar o mensageiro de Deus, estamos rejeitando o próprio Deus. “Todo o povo, até os publicanos, ouvindo as palavras de Jesus, reconheceram que o caminho de Deus era justo, sendo batizados por João, mas os fariseus e os peritos na lei rejeitaram o propósito de Deus para eles, não tendo sido batizados por João” (Lc 7.29-30).

“Eu lhes garanto: Quem receber aquele que eu enviar, estará me recebendo; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou” (Jo 13.20). “Aquele que lhes dá ouvidos, está me dando ouvidos; aquele que os rejeita, está me rejeitando” (Lc 10.16).

Jó Aprende o que é Quebrantamento
Tinha Jó necessidade de confessar quaisquer pecados? Em princípio não, porque não tinha consciência de nenhum. Entretanto, Deus viu que Jó poderia ir um pouco mais além na sua experiência de santidade, por isso permitiu que Satanás o atacasse para o seu próprio bem.

Depois de todos os sofrimentos e provações que Jó suportou, Deus começou a falar com ele (Jó 38). Em Jó 40.3-5, vemos a resposta que ele deu ao Senhor: “Então Jó respondeu ao Senhor: Sou indigno; como posso responder-te? Ponho a mão sobre a minha boca. Falei uma vez, mas não tenho resposta; sim, duas vezes, mas não direi mais nada.”

Essa não foi uma confissão completa, verdadeira, humilde e quebrantada diante da santa presença do Deus Todo-poderoso. É como se Jó dissesse: “Está bem, eu me calarei. Na verdade, penso que tu és muito duro comigo – uma pessoa justa como eu – mas não falarei mais nada. Calar-me-ei.”

Sabemos que Jó não se tinha humilhado totalmente diante de Deus, porque o Senhor lhe disse: “Você vai pôr em dúvida a minha justiça? Vai condenar-me para justificar-se?” (Jó 40.8)

Nada mais justo que nos humilhemos completamente diante de Deus, o Todo-poderoso, o Criador de todas as coisas, que deu o seu unigênito Filho para morrer uma morte cruel e vergonhosa por nossas pobres almas. É razoável e apropriado que coloquemos Deus em primeiro lugar nas nossas vidas.

Quantas vezes o Senhor tem problemas com os “velhos” santos! Quantas e quantas vezes ele tem dificuldade em colocá-los numa posição humilde e honesta diante dele, na qual pode mostrar-lhes todo o seu favor. Oh, que terrível, que sutil é o pecado da justiça própria! Foram os líderes religiosos dos dias de Jesus que causaram a sua crucificação. É muito difícil para uma pessoa que tem uma reputação de santidade e de retidão humilhar-se completamente e confessar aberta e totalmente quando algum pecado é revelado na sua vida.

A tendência é nos justificarmos, nos desculparmos, pôr a culpa nos outros, pôr a culpa nas circunstâncias, culpar até mesmo o próprio Deus – de tal modo que aparentemos não ser tão maus assim, afinal de contas. Oh, a falácia do coração humano! Que Deus nos ajude! “Os fariseus, que eram avarentos, ouviam tudo isto e o ridiculizavam. Mas Jesus lhes disse: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece o vosso coração; pois aquilo que é elevado entre homens é abominação diante de Deus” (Lc 16.14-15).

Deus não faz acepção de pessoas. Se um lider religioso, como Saulo de Tarso, por exemplo, se humilhar e jogar fora todos os seus trapos de justiça própria, Deus terá misericórdia dele.

Graças a Deus, Jó finalmente chegou a uma confissão humilde e completa. Em Jó 42.5-6, ele diz: “Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram. Por isso menosprezo a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza”.

Foi a partir desse momento que Deus começou a abençoá-lo poderosamente. Entretanto, foi somente depois que Jó orou por aqueles seus amigos atormentadores – orou por eles, não contra eles – que o Senhor lhe deu “uma porção dobrada”. “Depois que Jó orou por seus amigos, o Senhor o tornou novamente próspero e lhe deu em dobro tudo o que tinha antes” (Jó 42.10).

Verdadeira Humildade de Coração

Uma grande lição que aprendemos da experiência de Jó é esta: que independentemente dos anos de conversão que temos, do quanto Deus nos tem abençoado, do nível de santidade que tenhamos atingido –, Deus sempre quer que estejamos humildes diante dele. Se você foi salvo há quarenta anos, você deve se humilhar tanto quanto aquele bêbado ou aquela prostituta que vem ao altar agora clamando por salvação.

“Pois todo aquele que a si mesmo se exaltar será humilhado, e todo aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado” (Mt 23.12). “Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado” (Lc 18.14).

Você é um líder religioso? Você é um cristão “experimentado”? Tome cuidado, meu amigo, para manter-se muito humilde diante de Deus. Afinal de contas, talvez você não seja tão grande assim aos olhos de Deus. Jesus falou aos líderes religiosos do seu tempo: “Digo-lhes a verdade: Os publicanos e as prostitutas estão entrando antes de vocês no Reino de Deus” (Mt 21.31).

Muito Cuidado com os Louvores dos Homens
É extremamente perigoso obter uma posição em que você deseja os louvores dos homens ou aceita os elogios das pessoas. “Como vocês podem crer, se aceitam glória uns dos outros, mas não procuram a glória que vem do Deus único?” (Jo 5.44). “Ai de vocês, quando todos falarem bem de vocês, pois assim os antepassados deles trataram os falsos profetas” (Lc 6.26).

Você é um cristão? Foi “convidado” para a festa do casamento? (Mt 22.1-14). Então, tenha cuidado para que não esteja muito ocupado com outras coisas e negligencie aquele humilde caminho de oração, no qual sua maior preocupação não é o que as pessoas pensam de você, e sim como você pode melhor agradar a Deus. “Muitos são chamados, mas poucos, escolhidos” é o que lemos em Mateus 22.14 e 20.16.

Quando alguém o critica, ou quando algum sermão o “atinge”, não procure revidar nem se defender. Em vez disso, diga: “Bem, talvez haja aqui algo que Deus quer que eu veja neste assunto. Talvez aquela crítica severa tenha alguma verdade, afinal de contas”. “Portanto, humilhem-se debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele os exalte no tempo devido” (1 Pe 5.6).

“Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes” (Tg 4.6). O próprio Deus resistiu a Jó até que Jó desistiu do seu orgulho e auto-justificação. Só depois que Jó humilhou-se e confessou totalmente foi que o Senhor lhe concedeu sua graça, seu favor, sua ajuda e a sua completa bênção.

O Profeta Isaías Purificou-se
Isaías era um profeta. Mas, um dia, teve uma visão da santidade de Deus e disse: “No ano em que o rei Uzias morreu, eu vi o Senhor assentado num trono alto e exaltado, e a aba de sua veste enchia o templo. . . Então gritei: Ai de mim! Estou perdido! Pois sou um homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de lábios impuros; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!” (Is 6.1,5).

Graças a Deus que o Senhor encontrou Isaías exatamente na hora em que ele se humilhou e fez uma confissão completa: “Veja, isto [a brasa viva do altar] tocou os seus lábios; por isso, a sua culpa será removida, e o seu pecado será perdoado” (Is 6.7). Mesmo um profeta tinha “culpa” e “pecado” que, até aquele momento, quando a luz da verdadeira presença de Deus brilhou no mais íntimo do seu coração, aparentemente não haviam sido percebidos.

“Aproximem-se de Deus, e ele se aproximará de vocês!” (Tg 4.8)


Autor: W.C.Moore

Fonte: Arauto de sua Vinda

19 de outubro de 2007

Onde estão fixados os seus olhos?

 

"Se os teus olhos forem bons, teu corpo terá luz..."

Muitas vezes as circunstâncias deste mundo nos levam a pensar que somos fracos e incapazes. Então enchemos o nosso coração de tristeza e desânimo, o que nos faz acomodar e sofrer muito. As conseqüências são as mais diversas, pessoas sofrendo de depressão, decepcionadas com a vida e com todos, fracassadas na vida profissional, ministerial e sentimental. Mas, pior é quando essas pessoas se afastam dos caminhos do Senhor.Este é um problema real na vida de muitos cristãos.Quantas pessoas já viveram a plenitude dos caminhos do Senhor e se desviaram por se mostrarem fracas nos momentos de adversidade?

Como podemos então, enfrentar as dificuldades do dia a dia sem perder a visão e a esperança?

1 - Devemos nos perguntar: Onde estão fixados os meus olhos?

Os olhos do homem devem estar focados em Deus, o único que pode resolver qualquer situação. Vejo muitas pessoas olhando somente para as circunstâncias, onde está Deus? Ficam de um lado para o outro dizendo: O que vou fazer para resolver, isso? O que vou fazer para pagar aquela dívida? Ainda enfermos, murmuram: Quando vou sair dessa cama? Ou então, Por que nada de bom acontece em minha vida?

O erro de muitos é pensar que Deus abandona seus filhos. O Senhor não nos deixa, é preciso ter a compreensão que somos nós que nos afastamos do Senhor a partir do momento em que não nos dispomos a viver segundo o coração do Pai e pecamos.

Em I Pe 3:12 está escrito: “Porque os olhos do Senhor repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos às suas súplicas, mas o rosto do Senhor está contra aqueles que praticam males”, Deus é Pai e nunca falhará, devemos descansar nele e esperar que seja cumprida a vontade dele que é perfeita.

2 - Devemos orar e vigiar.

As pessoas precisam ter uma vida de oração mais intensa. Vejo muitos crentes reclamando da vida, mas muitos deles não oram como deveriam. Precisamos compreender que muitas coisas poderiam ser evitadas se orássemos mais. Quando falo de oração quero expressar qualidade, não adianta orar por horas a finco se não oramos com o coração quebrantado, comprometido no arrependimento e na verdade. Jesus nos fala em Lc 11: 9-10: “Por isso, vos digo: Pedi, e dar-se-vos á; buscai, e achareis; batei, e abri-se-vos á. Pois todo aquele que o pede recebe; o que busca encontra e a quem bate, abri-se-lhe-á”. O Senhor está sempre disposto a nos ouvir e abençoar.

Vigiar também é importante, devemos estar sempre atentos ao nosso redor para não sermos iludidos e enganados pelas armadilhas do inimigo. Os nossos olhos e ouvidos têm de estar sensíveis ao chamado do Senhor, para que possamos ver e ouvir a instrução que Ele tem para nós. A passagem de Lc 11:35 diz: “Repara, pois, que a luz que há em ti não sejam trevas”. Irmãos vigiem para que continuemos a andar no caminho reto.

3 - Outra dica é ter fé e perseverar.

A fé é algo extremamente importante para andarmos com o Senhor. No livro de Hebreus fala que “de fato, sem fé é impossível agradar a Deus”(Hb 11:6). A Igreja de Cristo precisa ter fé, pois é ela que vai nos dar a convicção das coisas que não vemos. Homens como Abraão, Noé, Enoque e Moisés, por exemplo, foram vitoriosos por que tiveram fé e perseveraram na obra do Senhor. Isso é totalmente acessível a nós. Deus também nos sustentará como fez com esses importantes homens. “Não abandoneis, portanto, a vossa confiança, ela tem grande galardão”, (Hb10:35). “Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará; todavia, o meu justo viverá pela fé e: Se retroceder, nele não se compraz a minha alma”, (Hb 10:37-38). Irmão tenha fé e persevere, pois, não precisamos ver e sim crer, porque Deus é poderoso e fiel para fazer muito mais além do que pedimos ou pensamos.

4 - Temos que ler a Bíblia.

O crente perde muito por não conhecer bem a palavra de Deus. Devemos orar e meditar na palavra do Senhor, pois ela é a própria voz de Deus nos ensinando como caminhar. Ela nos sustenta em situações adversas, lembro-me de muitos momentos difíceis que passei, mas quando recorria à palavra Deus a usava para trazer discernimento e sabedoria à minha vida.

Todas as questões acima nos ajudam em nossa caminhada com Deus. Ele sempre nos sustentará e mesmo quando as coisas parecerem impossíveis de se resolver o Senhor com amor e misericórdia nos sustentará. Não devemos nunca desistir pois o Senhor é a nossa esperança.

Autor: Vanessa Freitas

Fonte: Internet

15 de outubro de 2007

Casamento nem sempre é sinônimo de felicidade

Trabalhando com famílias nesses últimos anos de minha vida, tenho visto muitos solteiros associando a felicidade ao estado civil. Pensam eles: “Quando me casar eu vou ser feliz”.
Esquecem que só é feliz no casamento quem já era feliz enquanto solteiro. Procurando o pote da felicidade no outro, muitos solteiros que tinham até um bom nível de satisfação pessoal, se iludem quando após dizerem o "sim” chega no dia seguinte e constata que as coisas não eram bem como imaginavam.
Então, guarde a primeira lição desse artigo: A felicidade não está ligada ao seu estado civil.
Está solteiro? Divorciou-se? O cônjuge faleceu? A felicidade não foi com cônjuge que abandonou o lar ou com o cônjuge que faleceu. A felicidade está em Deus, em primeiro lugar, e não no outro.
Conheço muitos não-casados super felizes! Conheço também muitos homens e mulheres casadas que estão na ante-sala do inferno da vida a dois.
Agora anote o meu segundo raciocínio.
Casamento é uma bênção de Deus. Até aí todos concordam. Só esquecem de um detalhe: Casamento não é uma “varinha mágica” que torna uma pessoa feliz de uma hora para outra. Ou talvez um “ticket” para a felicidade.
Isso me faz lembrar de uma tirinha, dessas que aparecem nos jornais das grandes cidades. Hägar, o horrível é o nome de um personagem criado por Dik Browne.
Numa dessas histórias que são publicadas diariamente por um grande jornal aqui do Rio de Janeiro, o Hägar chegou para um sábio e perguntou: “Ó sábio, diga-me qual o segredo de um casamento feliz?” O sábio então respondeu solenemente: “Você deve estar disposto ao sacrifício filho...” Aí o Hägar, com aquela cara de espanto, pergunta: “E como se faz isso?” O sábio volta a responder: “Você precisa deixar a bebida alcoólica, as brigas e as noitadas...Tomar banho diariamente, parar de falar palavrão, ajudar a sua mulher nas tarefas da casa”. O Hägar abre os abraços e diz espantado: “Está brincando? E como isso vai me fazer feliz?”. O sábio coça a barba e diz: “Ah... Você é que quer ser feliz?”
Moral da história: Se você quer ser feliz, não fique perguntando o que o outro deve fazer por você para que seja feliz. A felicidade conjugal verdadeira só acontece quando um cônjuge procura agradar, mimar e proporcionar o bem-estar do outro.
Esposa, você jamais será feliz se estiver somente preocupada que o seu marido lhe faça feliz. Marido, quer ser feliz no casamento? Siga as orientações do sábio da história. Vai precisar de sacrifício?
Claro! Mas você vai experimentar o efeito “bumerangue”. Quando você se esforçar para fazer o outro feliz, essa felicidade voltará para você e então será feliz!
Última palavra: Seja feliz na situação civil que está. Não deixe que ninguém roube o seu direito de ser feliz. Está casado? Quer ser feliz no casamento?: Lembre da historinha. Pare de falar palavrão, ajude sua esposa nas tarefas da casa, tome banho todos os dias, pare de brigar, deixe um pouco os amigos e fique com a esposinha que Deus lhe deu.
Ou você está parecendo com o Hägar? Ai vai ser horrível!

Autor: Pr. Gilson Bifano
Fonte:
http://www.clickfamilia.org.br

6 de outubro de 2007

A sabedoria do silêncio

 

"Dentre todas as manifestações humanas, o silêncio continua sendo a que, de maneira muito pura, melhor exprime a estrutura densa e compacta, sem ruído nem palavras, de nosso inconsciente próprio" (J.-D. Nasio)

"O analista não tem medo do silêncio [...]; ele não escuta somente o que está nas palavras, escuta também o que as palavras não dizem. Escuta com a "terceira orelha"... (T. Reik)

"Na Finlândia, se você está feliz, deve estar em silêncio para ouvir os próprios pensamentos" (?)

É praticamente impossível esperar que crianças e adolescentes naturalmente fiquem em silêncio numa missa, aula, teatro, concerto musical, reunião, cinema. Os adultos, por sua vez, deviam dar o exemplo ficando de boca fechada nas igrejas antes ou durante missa, numa palestra, na biblioteca, etc. Será que existe medo do silêncio, necessário para reflexão?

Para ler e compreender um texto filosófico ou teológico, um poema, é preciso silêncio. Há músicas que só podem ser ouvidas sob um fundo de silêncio. Os retiros espirituais são importantes para capacitar as pessoas a conviverem melhor consigo mesmas; aprender a controlar a inquietação de nossa alma, rumo à ascese. Não "treinar" o silêncio é se entregar à fala vazia ou boba, reforçando um estilo sustentado na ignorância.

"O combate contra a ignorância é a meta de toda educação" diz o professor da UFMG, Roberto Jamil Cury. "Se a barbárie está presente através de atos na própria civilização, desbarbarizar tornou-se uma questão urgente da educação" , alertava o filósofo T. Adorno, na década de 1950.

Contudo, o elogio ao silêncio como sinal de educação deve ser rompido, sempre, para protestar contra os atos que causam direta ou indiretamente indignação, violência e destruição.

Silêncio para ensinar.

Os professores do ensino fundamental e médio, atualmente, reclamam que na sala de aula passam mais tempo pedindo silêncio aos alunos do que ensinando. Apesar dos sinais de barbárie na escola contemporânea, pouco se tem feito para impedir o seu avanço. Que fazer se os especialistas em educação se limitam a rotina de produção teórica abstracionista, e os responsáveis pelo sistema educacional continuam fugindo do compromisso de fazer "dialética do concreto" com o cotidiano das relações humanas na escola e na universidade? Onde está o equilíbrio entre conhecimento e sabedoria na formação dos professores para o futuro? Quem educará os pais para melhor educar os filhos?

Um dos efeitos da "geração net" é não respeitar os espaços cujo silêncio é quase obrigatório. Além de não suportar o silêncio necessário para introspecção, a "geração net" não tem paciência de seguir o fio condutor de uma conversa. Quanto mais jovem, mais rapidamente passa de um tema para outro ou troca de interlocutor como quem aperta o botão do controle remoto da TV. Mais do que impaciência, tais atitudes podem também revelar intolerância e desrespeito para com o próximo e falta de sintonia com o ambiente.

Como imaginam que "mandam no pedaço", crianças e adolescentes se acham no direito de interromper a conversa dos adultos por motivo fútil. Os adultos, por sua vez, fingem que aceitam a atitude grosseira, ou se acovardam, deixando de exercer a autoridade de educadores, cujo resultado previsível é a incivilidade.

Muitas pessoas estão deixando de freqüentar os cinemas para evitar constrangimentos com platéias mal educadas, barulhentas, parecendo estar mais interessadas em comer pipoca e dar arrotos de refrigerantes do que assistir ao filme em silêncio. (Existe diferença entre a demonstração de incivilidade do MLST no Congresso Nacional, as depredações das escolas públicas, ou outras menos barulhentas promovidas pelas gangs no dia-a-dia urbano?).

Mede-se o nível de ensino de uma universidade pelo grau de silêncio de sua biblioteca. Alunos de alguns cursos de nível superior são mais propensos ao zunzunzun da "conversa paralela" que, sem querer-querendo, termina atrapalhando o silêncio imprescindível para ouvir uma exposição oral. Se o assunto é complexo e/ou o professor tem o estilo monótono, aumenta a probabilidade de dispersão e cochichos inconvenientes. O historiador Peter Burke observa que essa inclinação para romper a romper com o silêncio necessário de uma aula, nos países latinos, talvez viria de costume cultural de "tentar ouvir muitas pessoas falando ao mesmo tempo". Ao contrário do costume anglo-saxônico que exige total silêncio da audiência, o palestrante para público latino-americano deve estar preparado para discorrer seu assunto tendo como ruído de fundo o zumbido de vozes. Curiosamente, ele seria considerado mal educado ou impolido se pedir silêncio, deixando transparecer certa irritação para com os verdadeiros mal educados.

Convenção do silêncio.

Burke observa que existe um "acordo público" que nos induz ficarmos em silêncio em certas ocasiões. Num velório, solenidade, audiência pública, culto religioso, concerto musical, durante a execução do Hino Nacional, o silêncio é sinal de respeito e sintonia espiritual. Devemos evitar falar, ainda que baixinho, para não causar constrangimentos em ambientes sociais necessariamente silenciosos. O silêncio é natural porque faz parte da função biológica, quando estamos num banheiro, tentando dormir; ou psicológica, quando nos entregamos à introspecção; ou social, quando esperamos nossa vez, numa fila, cortejo fúnebre.

O "silêncio é um dos elementos essenciais em todas as religiões", observa G. Mensching. Há variedades de silêncio sagrado: pessoal, comunal, o 'silêncio eleito' dos monges e freiras de clausura, a oração silenciosa ou 'mental'. "O silêncio religioso é um misto de respeito por uma divindade; uma técnica para abrir o ouvido interior; e um sentido de inadequação de palavras para descrever as realidades espirituais", escreve P. Burke.

É preciso "saber ficar em silêncio", sentenciava La Rochefoucault. Os mal educados ignoram o sentido ético, estético, cultural, moral, jurídico e psicológico do silêncio. Assim como o sábio e o monge escolhem ficar mais tempo em silêncio – meditando, orando – podemos inferir que os verdadeiramente civilizados e comprometidos com a sabedoria são propensos a conversas intercaladas com o silêncio da prudência ao dizer e esperar o outro revelar seu ponto de vista. O silêncio atua como parte fundamental de uma conversação, que deve obedecer às regras de diversas situações, revelando assim o grau de civilidade das pessoas que participam dos diferentes encontros sociais.

Existe o "silêncio localista" das igrejas, bibliotecas, museus e hospitais. Recebe um olhar de reprovação e um discreto psiu quem desrespeitar o silêncio necessário para rezar, estudar, apreciar, ouvir uma palestra, ou visitar um enfermo.

Portanto, precisa ser reeducado aquele que desrespeita os locais de silêncio. A pessoa que fala pelos cotovelos palavras vazias, que sofre de incontinência verbal monopolizando a palavra, poderia receber benefícios incalculáveis psicanálise. É preciso compreender que excesso de palavras cansa, irrita, chateia, e termina boicotando a harmonização do ambiente social e comprometendo a própria imagem do falante compulsivo.

Sabedoria e cálculo do silêncio.

Vários ditados populares dão importância ao silêncio: "Deus nos deu uma boca e dois ouvidos para que possamos menos falar e mais ouvir"; "Manter a boca fechada e os olhos bem abertos", diz uma versão italiana; "Em boca fechada não entra mosca", dizem os espanhóis e portugueses. Os comerciantes europeus inventaram a metáfora "o silêncio é de ouro e palavra é de prata". O provérbio árabe "cada palavra que tu falas é uma espada que te ameaças" induz a prudência e o cálculo sobre o que, como e em que ocasião falar.

Existe uma relação íntima entre o silêncio e a prudência. O padre jesuíta Baltazar Gracian ( séc.17) achava que "no silêncio cauteloso é que a prudência se refugia". Ou seja, escolher ficar em silêncio não é valorizar a mudez, mas sim, saber calar de acordo com o lugar ou a ocasião: "Fale pouco, mas nunca pareça mudo e embaraçado..." , dizia uma antiga etiqueta social. Até o filósofo da linguagem, Wittgenstein (séc. 20), alertava que "Aquilo que não se pode falar, deve-se calar". Enfim, o silêncio pode ser reconhecido como uma virtude que evita polêmicas desnecessárias e brigas perigosas. "Diante de tanta ignorância respondo com meu silêncio", encurtava Rui Barbosa.

Entretanto, diante da intolerância, do racismo e dos fundamentalismos, devemos ficar em silêncio? Nessas situações, o bom senso entende que "o dever do intelectual é romper o silêncio, ainda que sua voz seja abafada pelos poderosos e seus cúmplices de plantão" [1]. "O grande cúmplice da tirania é o silêncio; não atacar o despotismo é a maneira mais covarde de servi-lo; não denunciá-lo é auxiliá-lo; estar próximo dele sem feri-lo é a maneira mais vil de protegê-lo; e proteger o crime é mil vezes pior que cometê-lo; eis aí a hora em que a palavra é um dever e o silêncio é um crime" [2].

Nada justifica, portanto, que muitos intelectuais – principalmente aqueles que acreditam que a "esquerda deve ser, sempre, moral ou ética" fiquem calados diante do terrorismo (condenado, inclusive, por Che Guevara), do genocídio nos regimes totalitários autodenominados socialistas ou nacional-socialistas (nazi-fascistas), da corrupção, da delação em nome da "causa justa". É triste reconhecer como o infantilismo ainda domina uma parte da esquerda que cultua personalidades e faz "turismo revolucionário" [3], se alienando de ver o "todo". Há que sustentar, sempre, uma atitude crítica das contradições dos regimes ou dos homens "demasiadamente humanos". Tomás de Aquino dizia temer o homem que só conhece um livro [Timeo hominem unius libri]. Os homens sensatos deveriam desconfiar de todos os discursos, sobretudo os que produzem entorpecimento da razão crítica dos ouvintes condenados a somente ouvir em silêncio, repetindo o que o "grande mestre" diz.Os alunos deveriam questionar os professores que falam tanto como que obrigando os alunos a um silêncio de fé. Provavelmente, nesse caso, não temos ensino, mas sim, doutrinação.

Hoje, convivemos com uma civilização complexa, dominada pelo fetiche tecnológico sem um código moral de como usar tais bugigangas. O celular, por exemplo, é útil, mas também pode ser um instrumento de incivilidade quando toca fora de hora e no lugar inadequado. Pior é quando o dono se acha no direito de atender, ali mesmo, sem cerimônia e sem vergonha, falando alto para quem quiser ouvir. E o que dizer daqueles que falam com o famigerado aparelho dirigindo seu carro? E os que rompem o silêncio imposto por uma prisão que serviria para fazerem seu exame de consciência e se sentem autorizados a usarem o aparelhinho para desencadear violência numa cidade como São Paulo?

[1] OZAI, Antonio. "Assim falou Vargas Vila". Disponível em Revista Espaço Acadêmico, nº. 61, junho de 2006. Acesso em: jun. 2006. Acesso em: jun. 2006.

[2] BAZZO, Ezio Flavio. Assim falou Vargas Vila. Brasília: Companhia das Tetas Publicadora, 2005. (XLVIII).

[3] O psicanalista Contardo Calligaris toma emprestado uma idéia de outro psicanalista, Fábio Hermann, que observou que o "turista é quem tira seu retrato colocando-se na frente do lugar visitado, mas olhando para a câmera: somos turistas quando viajamos de costas para o real [...]. Aos turistas revolucionários de Caracas, sugiro uma leitura. Rossana Rossanda acaba de publicar (na Itália) suas memórias, " La Ragazza del Secolo Scorso" (a moça do século passado; Einaudi)". (CALLIGARIS, C. Os revolucionários silenciosos. Folha de S. Paulo, Cad. Ilustrada, 22 de junho de 2006.

Autor: RAYMUNDO DE LIMA

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